Pular para o conteúdo principal

O técnico da Holanda mostrou confiança e boa cara antes da partida pelas quartas de final da Copa do Mundo no Catar. “A verdadeira Copa do Mundo começa amanhã para nós”, explicou.

Caso fosse necessário confirmar que Louis Van Gaal  está para além do bem e do mal, valeu esta conferência de imprensa, onde o treinador holandês de 71 anos mostrou todas as nuances: humor, conceitos futebolísticos, frases para salvar.

Na véspera do confronto entre Holanda e Argentina, pelas quartas de final, o veterano técnico mostrou confiança e muita calma ao falar sobre o duelo, referiu-se ao incentivo do público argentino, e respondeu com altivez ao ser questionado sobre uma frase de Angel Di María , que o teve como treinador no Manchester United e o descreveu como “o pior treinador da sua carreira”.

“A Argentina, do meu ponto de vista, é uma das líderes mundiais, com jogadores de ponta. A verdadeira Copa do Mundo começa para nós amanhã. Não quero minimizar a importância das partidas anteriores. Mas Argentina e Brasil são seleções de um calibre muito diferente dos que enfrentamos antes”, disse ele sobre a partida em questão.

Sobre a sede que a equipe de Lionel Scaloni terá em Lusail, ele respondeu: “Meus jogadores são profissionais o suficiente para lidar com este ambiente. Estamos falando de 40.000 argentinos nas arquibancadas contra mil dos nossos. Acho que é um número maior do que em jogos anteriores, e isso me deixa feliz”.

Também presente no banco em 2014, quando a Argentina de Sabella o eliminou nas semifinais da Copa do Mundo do Brasil nos pênaltis, Van Gaal reconheceu que esta partida tem um tempero a mais para ele. “Quero muito me livrar desse gosto agridoce desde 2014 no jogo de amanhã”, confessou.

Mas a parte mais suculenta da conversa com a imprensa, na qual também esteve presente a estrela da equipa, Memphis (assim quer ser chamado e assim foi apresentado, sem Depay), passou pelo tema Di María e que frase que lembramos nesta cobertura dias atrás.

“Di María é um jogador de futebol muito bom. Jogou no Manchester e teve problemas pessoais. Eles o roubaram (na casa dele) e isso afetou seu desempenho”, começou o DT. E acrescentou: «Quanto ao facto de me ter chamado o pior treinador da sua carreira, só posso dizer que é um dos poucos que o diz. ele declarou isso publicamente. O treinador toma decisões. Você pode ter tomado uma decisão ruim.”

Mas para completar a resposta e mostrar que não parece levar nada muito a sério, Van Gaal aproveitou a cumplicidade do atacante sentado ao seu lado: “Aqui tenho o Memphis, que também não jogou comigo no Manchester United, e agora a gente se beija na boca. Agora eu tomo decisões, posso não gostar das coisas. E infelizmente ele não deixa eu beijar ele na boca”, brincou o DT, arrancando sorrisos de seu diretor e de todos os presentes no sala de conferencia.

Memphis, alguns minutos depois, concordou com ele ao defini-lo como “um treinador maravilhoso, exigente e com uma personalidade muito forte”.

Aos 71 anos e após superar um grave problema de saúde, Van Gaal apresenta-se renovado, mais fresco e motivado do que nunca. Essa versão o levou a formar um dos times que mais vem fazendo no Catar: está invicto, privilégio que apenas outras três seleções têm, Inglaterra, Marrocos e Croácia. No que diz respeito aos conceitos, ele explicou sua transformação, que em sua opinião acompanha a evolução do futebol mundial.

“Minha visão evoluiu. Eu era o técnico de um Ajax muito ofensivo, no Barcelona aprendi que nem sempre se pode perseguir esse objetivo. Foi aí que desenvolvi minha visão para a Copa do Mundo de 2014 e acho que se tornou realidade, e hoje tem muitos times que usam. Agora tenho mais paciência do que antes. Minha personalidade não mudou, vejo o futebol igual, é uma abordagem diferente para cada caso e sempre trabalho com os jogadores da mesma forma. É muda de acordo com o jogador, porque cada um tem a sua personalidade. O maior é, o negócio muda. Agora sou uma pessoa mais paciente do que antes”, refletiu.

Futebol ofensivo ou defensivo, um ótimo tema. “Eles sempre me fazem a mesma pergunta, o que eles não entendem é que agora é muito mais difícil jogar ofensivamente do que 20 anos atrás, por exemplo. No meu país eles me criticavam e agora muitos gostam de como jogamos. O futebol evoluiu nesse sentido Eles me opõem ao Brasil e acho que o Brasil está fazendo praticamente o mesmo, claro que eles têm jogadores fantásticos e às vezes podem brilhar”, explicou.

A única parte em que DT permaneceu mais reservado foi quando lhe perguntaram como planejava anular Lionel Messi. “Não vamos revelar as nossas cartas, seria estúpido”, contra-atacou.

Já no final, questionado sobre o seu futuro, disse que assumiu a liderança da Holanda numa emergência, mas que se aparecer um projeto que o seduza, poderá aceitá-lo. “Estou radiante, pareço mais jovem”, encerrou sob aplausos dos jornalistas.

Por Adrian Maladesky

Deixe uma Resposta